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Como é de praxe na Fórmula 1, os pilotos mais experientes têm preferência no que é chamado “jogo de equipe” em relação aos menos expressivos da mesma scuderia. Charles Leclerc, da Ferrari, sentiu isso na pele hoje, ao ser orientado a permitir a ultrapassagem de Sebastian Vettel, com o intuito de facilitar a aproximação do alemão a Valtteri Bottas. Mesmo sendo prejudicado, o piloto monegasco optou por colocar panos quentes no episódio.

“Não foi uma grande corrida para mim. No geral, o fim de semana não foi como eu esperava. No lance com o Sebastian, eu preciso entender o quadro geral, falar com os engenheiros e entender a situação. Não quero fazer comentários tolos antes disso. Estou certo de que há uma explicação por trás dessa decisão e que eu entenderei. Mas já é passado, voltaremos mais fortes”, analisou Leclerc.

O piloto de apenas 21 anos também foi alvo da estratégia da Ferrari ao permanecer na pista por 25 voltas com pneus médios, visando atrapalhar o ritmo de Bottas após o pit stop e facilitar a aproximação de Vettel. Entretanto, o plano não foi bem sucedido e ainda prejudicou Leclerc novamente, que não conseguiu retomar a posição perdida para Verstappen durante a parada nos boxes.

“Se você olhar para a minha corrida, então deveríamos ter parado antes. Se você olhar para a corrida do time, acho que fizeram a coisa certa para diminuir o ritmo da Mercedes para aproximação do Seb, que é o que acredito ter sido o objetivo. Não funcionou, mas pelo menos tentamos e agora é olhar para frente”, completou o piloto monegasco.

Após a corrida, o chefe da Ferrari, Mattia Binotto, buscou esclarecer a estratégia da equipe. Na sua visão, o plano não teve como objetivo favorecer Vettel, e sim buscar atrapalhar o ímpeto dos carros da Mercedes a qualquer custo. Binotto afirmou que a frustração de Leclerc é compreensível, porém fez questão de apontar que, no futuro, o monegasco pode ser o beneficiado pela estratégia da scuderia.

“Não fizemos isso para dar vantagem a um piloto. Era realmente nós, enquanto time, tentando fazer o que dava. Apesar de ter sido cedo, era uma momento importante da corrida. Eu entendo o sentimento do Charles”, reconheceu o diretor. “É uma pena para ele, mas naquela altura a Mercedes estava mais rápida e queríamos dar uma chance para ver se o Seb conseguiria acompanhar o ritmo deles. Se o Charles estiver irritado, é um direito que ele tem. Devemos aceitar. É uma pena para ele, mas talvez na próxima vez seja a favor dele”.

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