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Na noite desta quinta-feira, no auditório do Conselho Deliberativo do Santos Futebol Clube na Vila Belmiro, na Baixada Santista, foi apresentado o plano diretor do retrofit do Estádio Urbano Caldeira. Com a presença do presidente José Carlos Peres, o arquiteto Artur Katchborian, do escritório Biselli & Katchborian e responsável pelo anteprojeto, apresentou aos conselheiros do Peixe os primeiros passos para a reforma do estádio, que caso tenha o plano aprovado pode aumentar a capacidade da Vila para até 20.000 pessoas.

“Hoje é apenas um debate sobre a Vila. Esse é um pré-projeto que pode sofrer alterações. Neste debate vamos fazer uma apresentação completa e vamos abrir a discussão pensando no bem do Santos Futebol Clube”, disse Peres na abertura do evento, enfatizando o desejo do Bolton Group de investir na reforma, que conta com orçamentos prévios de R$ 220 milhões e R$ 237 milhões para ser concretizado.

(Foto: Reprodução)

Durante a apresentação, o arquiteto responsável pelo anteprojeto mostrou o processo de reestruturação para tornar a Vila Belmiro um estádio moderno. Além de aumentar a capacidade, algumas das estratégias passam por tornar a casa santista coberta, inclusive com um Boulevard na Rua Princesa Isabel, que marca a faixada do Urbano Caldeira, e até mesmo a alteração da calçadas locais visando o aumento a geometria do espaço.

Dentro da Vila Belmiro, o projeto de retrofit prevê um anel quase completo térreo de arquibancadas. Em seguida, um anel superior, aproveitando a realocação do campo. De acordo com o arquiteto, o projeto deixaria a Vila Belmiro com uma visibilidade completa e sem pontos cegos, com uma capacidade de 18.000 a 20.000 lugares e todos os lugares cobertos com um envoltório, que teria sua célula de mudança na Rua Princesa Isabel. O acesso seria realizado a partir de rampas, a fim de melhorar a densidade do público.

“Esse é um trabalho que, se concretizado, vai levar um ano de esforço. Quando fomos convidados a fazer parte desse projeto fizemos uma proposta de estabelecer um plano diretor, que envolve uma qualificação do Estádio urbano Caldeira. Junto a isso uma adaptação, construção de novas instalações, entre elas o CT da base e do time profissional. No diagnóstico fica patente que muito do espaço físico do Estádio é utilizado para atividades além do que ele se destina. Faz parte do nosso escopo adaptar todos os ambientes, os espaços, nos imóveis que o Santos nos destinar para recebê-los”, disse Arthur.

Apesar de não ter contado com a presença do CEO Roberto Diomedi, que foi à Europa acompanhar o nascimento do seu filho, o Bolton Group foi representado no evento por João Paulo Campos, diretor do grupo na América Latina. O representante, inclusive, ressaltou o desejo de investir na reforma da Vila Belmiro.

“Estou aqui representando o Roberto Diomedi. Temos claros interesses de entrar em um acordo definitivo o mais rápido possível. Estarei reunido com o presidente para mostrar os planos de financiamento. Esperamos assinar e chegar a um acordo final. É o jogo do ganha-ganha, que tanto o Santos quanto a Bolton fiquem satisfeitos com essa parceria. Acerca de detalhes maiores relacionados à investimento e planos, nosso CEO (Roberto Diomedi) tem algumas sugestões de investimentos e parcerias. É um assunto, por ora, sigiloso”, disse João Paulo Campos.

Estratégias do retrofit da Vila Belmiro

O plano de reforma da Vila Belmiro, previsto para um processo de 4 a 6 meses de licenciamento (Prefeitura de Santos, Corpo de Bombeiros) e mais um ano a um ano e meio de obra, conta com diversas estratégias. No sentido de qualificar o estádio, consta no plano transformar a Rua Princesa Isabel em trânsito local, com um Boulevard na frente do estádio. Além disso, prevê que a calçada liberada para estacionamento seja alargada. Dessa forma, o entorno dobraria de tamanho e viabilizaria a cobertura do estádio.

Há também o plano de realocação de dependências. A ideia apresentada para o projeto é de deslocar alguns alojamentos, como o CT da base, além de restaurantes. Assim, vestiários e sala de imprensa seriam realocados para o ganho de espaço no campo de futebol, com toda a área inerente à jogadores e árbitros centralizada. Além disso, o plano prevê a realocação do gramado, que cresceu de forma desproporcional por conta das ampliações interiores.

“A Vila Belmiro teve diversos momentos, que aconteceram de acordo com a necessidade física. Assim, foi ganhando ampliações desordenadas e dentro do que foi possível. Pelos menos 10 adaptações aconteceram, gerando uma colcha de retalhos. A própria geometria do terreno condiciona essas adaptações. Isso fruto de um crescimento desordenado. A cidade incorporou a Vila Belmiro. Ela tinha amplitude, mas com o tempo a cidade abraçou a Vila. Há uma limitação física. Geometricamente não tem como fazer valer a ideia de muitos de que a Vila Belmiro pode ser a nossa Bombonera”, completou o arquiteto.

Outras mudanças a partir do retrofit da Vila Belmiro envolvem o aumento na capacidade estrutural e de recursos. O número de banheiros iria de 180 para 324 (aumento de 80%), o de bares de 9 para 25 (aumento de 178%) e o de catracas aumentaria em 95%, saindo de 55 para 81 unidades, diminuindo o tempo de uma suposta evacuação do estádio para oito minutos.

Por fim, há a ideia, apresentada pelo arquiteto Arhtur Katchborian, mas questionada por parte dos conselheiros, de mudança de funcionalidades hoje presentes na Vila Belmiro, como salão de mármore, secretaria social e Memorial das Conquistas para o Museu Rei Pelé. José Carlos Peres, no entanto, ponderou as mudanças e alertou para reuniões visando uma alocação melhor para todas as funções e áreas do clube.

Mateus Videira*

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