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O São Paulo não conseguiu segurar a vantagem conquistada na primeira partida da final contra o Palmeiras e acabou derrotado por uma sonora goleada por 4 a 0 no Allianz Parque, perdendo o título para o rival. O técnico Rogério Ceni analisou a partida e a atuação de sua equipe, evitando apontar culpados individuais.

“Não conseguimos jogar como a gente vinha jogando todos os jogos, nas quartas, semis, contra o próprio Palmeiras. Infelizmente hoje não conseguimos trocar passes, envolver o adversário. Perdemos muitas bolas. Hoje o time infelizmente não conseguiu render o que nós esperávamos e o Palmeiras tem uma equipe experiente, madura, e é mérito deles. Mas, de maneira geral, fomos abaixo da média que o São Paulo apresentou no campeonato”, iniciou o treinador em coletiva de imprensa logo após a derrota.

Ceni também lamentou o que seria a conquista de seu primeiro título como comandante da equipe onde é ídolo e já levantou inúmeras taças como goleiro. Porém, voltou a dizer que o foco é em levar o Tricolor para a Libertadores de 2023, confirmando que, a preparação do time “principal” será para domingo, na estreia do Brasileirão, e não no primeiro jogo da Sul-Americana, na próxima quinta-feira.

“Me deixa muito triste, era um título que teria um significado muito especial, para todos também, para os meninos. Não poder devolver ao torcedor, que fez uma festa no Morumbi, dar em título, apesar da força do Palmeiras. Não muda meu plano de trabalho, vamos manter essa mentalidade, tentar ser mais fortes mentalmente a cada jogo. Tentar evoluir com eventuais fracassos. A longo prazo, é tentar fazer o São Paulo estar na Libertadores do ano que vem, mas a gente espera que não perca a confiança, apesar do resultado difícil de ser digerido, ainda mais em uma decisão, mas vamos seguir o planejamento da Sul-Americana e do Brasileiro”, iniciou sobre o assunto.

“O que eu achei é que conseguimos mudar a chave do início da temporada para agora foi essa força do meio-campo, Igor, Sara, Pablo, Nestor… O Pablo surgiu na Copa SP, conseguiu ocupar espaços. Eles deram a energia que o São Paulo precisava para enfrentar times que são superiores do que o nosso. Esse time não joga na quinta, não viaja. Vamos preparar um time para domingo, esses jogadores (reservas) vão ter oportunidade de mostrar o que podemos melhorar na parte técnica, mas é natural que se perca a intensidade porque alguns não estão na mesma parte física que os demais”, complementou.

Dessa forma, agora a equipe se prepara para duas estreias, na Copa Sul-Americana, na próxima quinta-feira, diante do Ayacucho, no Peru, às 21h30 (de Brasília), e, depois, no domingo, a partir das 18h, contra o Athletico-PR, no Morumbi.

Veja abaixo outros trechos da coletiva de Rogério Ceni:

Análise do jogo

“Os primeiros 15 minutos, nos dois jogos o Palmeiras foi superior. Eles conseguem inverter muito a bola e jogar na direção do gol. Acho até que tivemos sucesso defensivamente nos três jogos, não conseguimos criar tanto, mas não demos espaço. Não conseguimos tirar a bola da área com calma. Tentamos a bola longa com Calleri, mas infelizmente não foi possível”. “Sabíamos que o lado direito era mais forte, o Pablo junto com o Veiga, o Alisson com o Marcos Rocha e o Éder tentar encostar no lado que o Palmeiras mais cria. Em nenhum momento tivemos dominância, não conseguimos proteger, dar continuidade nas jogadas, poucas chances de gol da nossa parte. Realmente abaixo da média dos jogos que apresentamos neste campeonato”.

Parte mental dos jogadores

“Muito difícil dizer. Taticamente é uma equipe que foi preparada com pouco tempo, mas teve mérito na vitória por 3 a 1. Hoje, lado emocional e juventude, que te traz até aqui, também sente essa parte. O mesmo time que foi fantástico contra o Corinthians e contra o Palmeiras, perdeu hoje. Não conseguimos vencer também pela qualidade do Palmeiras. Perdemos quase todos os duelos individuais, eles sempre com chances de finalização. Esse foi o grande diferencial. No dia de hoje não tivemos a felicidade de vencer a maioria desses duelos, muito pelo contrário”.

Arboleda como titular

“Não, não tínhamos pensado, o time vinha bem com Léo e Diego, e o Welington ficou perdido com a marcação no primeiro tempo, tomou uma pancada. O Léo tem uma consistência maior defensiva, Dudu vinha dando trabalho por ali. Foi uma substituição que foi mais para corrigir defensivamente, mas com poucos minutos o Palmeiras faz 3 a 0 e prejudica bastante. O que esse time podia fazer, fez. Tristeza por não poder comemorar o título, mas o orgulho de ter chegado até aqui. Não é dia de caçar culpados”.

Confiança abalada?

“A vida é feita de vitórias e derrotas, não é um mar de rosas. Perder é dolorido, não era o que a gente pensava, resultado muito elástico, mas temos que nos fortalecer nas derrotas. Saber que temos méritos para chegar até aqui, mas falhamos como time hoje, não colocamos o quadro na parede de bicampeão paulista. Que eles continuem competindo, se dedicando, que eles têm que fazer o São Paulo melhor do que o ano passado”.

Pressão após derrota

“Questão de direção, eu não faço esse tipo de trabalho de rede social, trabalho com atletas, pessoas, essa é minha preocupação, construir times, esse é o mais importante. Ninguém acreditava que a gente ia jogar essa final. Coisas importantes foram realizadas. Palmeiras chegou a mais uma final, trabalho longínquo, acreditando no trabalho do treinador, igual outras equipes. Óbvio que precisamos de melhoras para competir com eles”.

Marina Bufon