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Após treino aberto com quase de 22 mil torcedores no estádio do Morumbi, o técnico Rogério Ceni concedeu entrevista coletiva. Apesar de preferir atividades fechadas, já que há maior possibilidade de se trabalhar com os jogadores, ele agradeceu o apoio.

“Um treinamento fechado tem condição de falar mais próximo, falar mais com os jogadores. Acho que é importante para o atleta, para ele sentir a presença de espírito do torcedor, porque ele não estará presente pessoalmente, mas que eles levem essa imagem com eles, porque são a esperança. Continuar fazendo o que eles vêm demonstrando ao longo do campeonato. Ontem trabalhamos mais forte, hoje fizemos mais tranquilo, para levar essa boa energia para amanhã (domingo)”, iniciou o comandante.

Apesar de ter vencido por 3 a 1 na ida, o técnico não encara a decisão no Allianz Parque, neste domingo, com tranquilidade. Segundo ele, ainda há muito caminho pela frente, mas, caso levante sua primeira taça como técnico no clube onde é ídolo, será muito especial.

“Se acontecer, se a gente conseguir, vai ser muito especial, seria uma outra carreira, outra função, em um clube que trabalhei durante 25 anos. Uma pena que tenha o Palmeiras pela frente, tendo no mínimo 90 minutos. Se acontecer, vai ser uma grande realização na minha carreira, são quase 30 anos aqui, mas ainda há uma longa caminhada pela frente, por ser o Palmeiras, com a torcida deles e estádio deles. Sei o quanto será difícil ficar e focar no jogo, mas Deus queira que sejamos campeões”, complementou.

O São Paulo visita o Palmeiras neste domingo, a partir das 16h (de Brasília), em busca de seu 23º título. Na ida, 3 a 1 em cima do rival dentro de casa, abrindo uma boa vantagem – pode perder por um gol de diferença. No treino, foram 21.792 são-paulinos para dar apoio ao time.

Ceni também falou sobre o processo dos jogadores durante toda a competição, a arbitragem de Raphael Claus, entre outros tópicos. Confira abaixo outros trechos da coletiva:

Possibilidade de vencer título como técnico do São Paulo

“Para mim, viver aqui é especial, seguir a carreira no futebol é muito especial. Trabalhar a céu aberto, eu gosto muito. Fui bancário durante quatro anos, teto fechado, já é um privilégio. O Paulista envolve times da Série A, times que estão na Libertadores e Sul-Americana. Aliado a tudo isso, tem um clássico contra um grande rival, que é um dos três maiores do Brasil na atualidade e ganhou Libertadores. É tudo isso”.

Fala forte após jogo contra o Santo André

“Essa fala foi para aquele momento, espontânea, e a verdade é sempre importante ser colocada, ser esclarecida. Só quer a melhora de um clube aquele que gosta, aquele que viveu. As falas são para aprimorar, para evoluir. Aquele momento já passou. O que melhoramos é estamos tentando fazer chegar novos aparelhos, trabalhamos em três períodos… Tudo isso, não pela minha fala, mas é assim que tem que ser. Se você quer ter sucesso, precisa trabalhar por ele”.

Início ruim e finalista

“O início do Campeonato é muito claro, tempo curto de pré-temporada e covid. Tem interferência direta. O fato de jogadores estarem chegando e não termos exata noção de como eles iriam jogar. Teve melhora física, alguns ainda não conseguem manter, mas isso tentamos elevar. A competitividade colocada em campo no dia a dia é importante. As vitórias também trazem confiança, alegria, melhora o ambiente. Quando perde o jogo, os problemas são lembrados. É a vida dentro do futebol. O time chega bem muito pelo crescimento físico, entendimento da competitividade até o último minuto e por essa proximidade da torcida, que abraçou o time nos momentos difíceis e ajudou a levar o time até essa oportunidade (final)”.

Arbitragem

“Já foi pedido para que façam dessa maneira (não pensar na arbitragem). É um árbitro de extrema qualidade, é questão de momentos. O Claus é, no momento, o melhor árbitro da atualidade. A preocupação maior é lá em cima, no VAR. No campo, os jogadores estarão concentrados em jogar futebol. Isso já foi pedido e será relembrado”.

O que vê nos jogadores que ele também tinha

“Desejo de vencer, vontade de competir o tempo todo, alegria e comemoração da vitória. Eu vivia intensamente o clube, independentemente de qual competição fosse. Eu vejo isso neles, eles têm prazer em disputar esse título, nas vitórias. É isso. Você tem que ter alegria de vencer. Acima de tudo, você precisa estar preparado para a vitória. Não se decide vencer hoje, a vida não é assim. É a cada semana que você constrói, aí sim pode ter efeito e resultado. No dia do jogo, todo mundo quer vencer, pede a Deus que a vitória venha, como o Abel (Ferreira) disse”.

Éder

“As trocas não me preocupam, porque são padrões, a não ser que seja uma lesão. Hoje, ele fez a primeira parte e preferimos segurar para analisar amanhã, para ver se é viável começar com ele ou será com outro”.

Trabalho até agora

“Acho que dois meses é um tempo curto para melhorar bastante, mas não havia outra possibilidade. Os primeiros jogos não conseguimos produzir gols, ser efetivos, mas essa melhoria faz com que esteja aqui conversando com vocês. É uma melhora rápida, poucas pessoas esperavam o São Paulo nessa final, não é demérito de ninguém pensar isso, mas pelo final do ano passado e início deste ano. É mérito dos atletas, que atenderam e trabalharam mais firme. É por eles que o São Paulo está aqui”.

Importância do processo

“As quatro forças hoje são cinco, o RB Bragantino, o mais longevo, tem que colocar entre os cinco do Estado pelo futebol praticado. Chegam São Paulo e Palmeiras, como poderiam ter chegado Bragantino e Corinthians. Parte física, liderança – recuperação do Éder e chegada do Rafinha -, amadurecimento de alguns. Diego é um caso bem claro disso. Passa por vários setores”.

Libertadores é o objetivo

“Eu vim com um objetivo para cá e comecei o ano com ele: jogar a Libertadores em 2023. Campeão brasileiro? Acho difícil. Copa do Brasil? Não é fácil. Podemos crescer e brigar por coisas deste tamanho, mas ainda não. Meu objetivo, minha missão é essa, levar à Libertadores no ano que vem, uma pré-Libertadores. Seria o meu planejamento. Se um título paulista vier, ótimo, muito legal. Meu foco é no Campeonato Brasileiro. Os outros são ramificações, é na competição de longa distância. Não que você não queira o restante, mas pode mudar do dia para a noite, o Brasileiro tem 38 rodadas marcadas”.

Marina Bufon