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O Palmeiras quebrou um jejum de 37 anos sem vitória de clubes brasileiros atuando na cidade de La Paz, a 3.640 metros do nível do mar, quando derrotou o Bolívar por 2 a 1 na noite da última quarta-feira, pela Copa Libertadores.

Após o confronto, o Verdão explicou que o duelo foi objeto de muito estudo e planejamento por parte da comissão técnica em conjunto com o Núcleo de Saúde e Performance, que trabalharam para minimizar os efeitos da altitude sobre o elenco.

Três dias antes do jogo, a delegação do Palmeiras chegou à La Paz para começar as atividades. Foram dois treinos no Estádio Rafael Mendoza, do The Strongest, com o intuito de identificar melhor os problemas como a hiperventilação e a velocidade maior da bola no ar rarefeito.

“Cada dia a mais na altitude você apresenta melhores reações a esse fenômeno. A rarefação do ar, a dificuldade respiratória… Você começa a alterar metabolicamente seu organismo para ter os benefícios normais, climaticamente, do lugar onde está. Não foi empírico, já faço há alguns anos. Se você chega no dia, há o elemento surpresa, o jogador se assusta com a hiperventilação, não está acostumado à velocidade da bola. Além disso, tem o fator psicológico, não há surpresa. Ele percebe nos treinamentos que não vai passar mal”, explica o preparador físico Antônio Mello.

“O Palmeiras realizou algo relativamente inédito de ir três dias antes, realizar dois treinos, ter feito um aquecimento especial para a altitude. Os pressupostos teóricos dizem que ir imediatamente antes do jogo minimiza os efeitos fisiológicos. Jogar na altitude traz perda respiratória de 10% no mínimo e percebemos isso nos atletas. Mas há outros ganhos, como cinemática e dinâmica. Então a bola vai mais rápido, você tem chutes mais potentes, e os velocistas conseguem ter melhor desempenho”, reforçou o coordenador científico, Daniel Gonçalves.

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