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Rio de Janeiro - A ex-tenista Maria Esther Bueno durante a divulgação do uniforme e de seu nome como participante do revezamento da tocha olímpica no Comitê Rio 2016, na Cidade Nova, centro da cidade (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Neste sábado, dia 8 de junho, a morte de Maria Esther Bueno completa um ano. Maior tenista brasileira da história, a heptacampeã de Grand Slams foi vítima de um câncer na região da boca e faleceu aos 78 anos. Na época, Maria Esther havia sido internada no no Hospital 9 de Julho, em São Paulo, em estado grave, e acabou não resistindo.

A doença foi descoberta em 2017 e ela chegou a realizar um tratamento severo, do qual vinha se recuperando. No entanto, posteriormente, a ex-tenista começou a sentir dores novamente e os exames apontaram que o câncer voltou a se manifestar e teria se espalhado por outros órgãos do corpo.

Carreira vitoriosa

O começo de carreira da brasileira já mostrava o quanto Maria Esther Bueno seria importante para o tênis mundial. Com apenas 19 anos, na temporada de 1960, a tenista se tornou a primeira mulher a conquistar todos os títulos de duplas dos torneios Grand Slam em um mesmo ano.

Os números de Maria Esther Bueno são impressionantes: foram 120 finais em torneios de simples, sendo 65 títulos e 55 vice-campeonatos. Além disso, a tenista teve um currículo vencedor também jogando em duplas com 90 títulos e 47 vices. Pelas duplas mistas, mais 15 troféus, totalizando impressionantes 170 títulos.

O último título de Grand Slam que a histórica tenista conquistou foi em 1966, quando Maria Esther Bueno venceu o Aberto dos Estados Unidos pela quarta vez na carreira. Na época, o torneio ainda era disputado na grama, mesma superfície de Wimbledon (único Major que mantém o piso), que a brasileira venceu em três oportunidades (1959,1960 e 1964).

Já no Aberto da Austrália e em Roland Garros, Maria Esther não conseguiu levantar o troféu, mas também fez história. Chegou na grande final nos dois torneios, (em 1964 no torneio francês e 1965 no primeiro Major da temporada) e com isso se tornou um dos poucos tenistas da história (seja no masculino ou no feminino) a chegar na final de todos os Grand Slam.

Os excelentes resultados também tiveram consequências positivas ao ranking mundial. A brasileira terminou como número um nas temporadas de 1959, 1964 e 1966, eternizando ainda mais seu nome na história do tênis.

Com tamanha importância, não tinha como a brasileira não ter uma rival à sua altura. Billie Jean King, histórica tenista que representou as mulheres na “batalha dos sexos” diante de Bobby Riggs, venceu todos os Grand Slams em simples e também teve desempenho histórico nos torneios de duplas, sendo a grande adversária de Bueno por anos.

Com tantos títulos e conquistas históricas, se tornou a primeira e, até momento, única brasileira a ser incluída no Hall da Fama do tênis. Os feitos no começo da carreira fizeram com que ganhasse o prêmio “Atleta Feminino do Ano”, honraria que ainda sustenta como única tenista do Brasil a conseguir.

Mesmo após quase meio século, Maria Esther Bueno recebeu uma belíssima homenagem pelos seus feitos representando o Brasil: a quadra Central do Tênis Olímpico, onde ocorreram as partidas da modalidade na Olimpíada realizada no Rio de Janeiro, foi batizada com seu nome.

Cronologia

1950: campeã brasileira de adultos

1955: disputa o Panamericano do México

1956: campeã do Orange Bowl (torneio juvenil)

1957: bicampeã do Orange Bowl, campeã do torneio de Fort Lauderdale (primeiro título de aldultos)

1958: campeã do Aberto da Itália e campeã de duplas em Wimbledon ao lado da americana Althea Gibson

1959: campeã nos torneios femininos de Wimbledon e do Aberto dos Estados Unidos, vice-campeã de duplas femininas no Aberto dos EUA ao lado de Sally Moore

1960: bicampeã em Wimbledon, vice-campeã do Aberto dos EUA, primeira mulher a ser campeã de duplas nos quatro torneios de Grand Slam no mesmo ano: Aberto da Austrália e Winbledon ao lado de Christine Truman, Estados Unidos e Roland Garros com Darlene Hard

1961: campeã de duplas em Wimbledon jogando com Darlene Hard e descoberta de uma infecção no sangue

1962: campeã de duplas do Aberto dos Estados Unidos com Hard, campeã de duplas mistas em Roland Garros, Wimbledon e EUA.

1963: bicampeã do Aberto dos EUA. Tricampeã de duplas em Wimbledon e vice-campeã nos Estados Unidos com Hard. Conquista 17 troféus no ano.

1964: tricampeã em Wimbledon e no aberto dos EUA, vice-campeã de simples e duplas mistas em Roland Garros.

1965: vice-campeã em Wimbledon e na Austrália e tetracampeã de duplas em Wimbledon

1966: tetracampeã do Aberto dos Estados Unidos, vice-campeã em Wimbledon e campeã de duplas nos dois torneios.

1967: vice-campeã dos torneios de duplas e duplas mistas em Wimbledon, onde sofre uma grave contusão no braço.

1968: vence seu último torneio de “Grand Slam”, conquistando o título de duplas do aberto dos EUA ao lado de Margaret Court.

1974: conquista seu último título

1976: volta a jogar, mas não consegue obter bons resultados nos Abertos da Itália e da França

1977: após várias interrupções e retornos faz sua última final em Dublin e anuncia sua aposentadoria definitiva do tênis em Wimbledon

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