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Chegou a hora do Time Brasil estrear nos Jogos Olímpicos. A partir desta sexta-feira, quando será realizada a Cerimônia de Abertura no Estádio Olímpico de Tóquio, 302 atletas brasileiros concretizarão um sonho que foi ameaçado pela pandemia e acabou adiado por um ano.

Para o presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Paulo Wanderley Teixeira, a preparação da delegação neste ciclo olímpico foi o maior desafio da história do COB.

“Foi um ciclo muito duro para todos, mas o COB foi incansável na busca de soluções para manter o sistema olímpico do Brasil em funcionamento e achar alternativas para a preparação da delegação brasileira, mesmo em um cenário marcado pela covid”, disse o dirigente.

“Chegamos a esse momento muito seguros de que fizemos uma boa preparação. Os atletas estão motivados, conscientes dos riscos da pandemia, mas confiantes para dar seu melhor. Entendemos que será uma competição extremamente forte, com muitas surpresas. Estamos prontos para representar bem o Brasil e buscar grandes resultados”, acrescentou o Chefe da Missão brasileira em Tóquio, Marco La Porta, vice-presidente do COB.

Neste sábado, o Brasil estreia em 11 modalidades e já terá em ação nomes como Alison e Ágatha, medalhistas olímpicos do vôlei de praia, Felipe Wu, do tiro esportivo, Hugo Calderano, do tênis de mesa, e Nathalie Moelhausen, da esgrima, além do vôlei masculino, ouro no Rio 2016.

As oito bases de apoio espalhadas pelo país (Ota, Hamamatsu, Nagato, Enoshima, Sagamihara, Saitama, Tsurigasaki e Chuo) oferecem aos atletas locais de treinamento exclusivos, além de diversos serviços de alta performance. Os locais foram fundamentais na estratégia do COB para a adaptação ao clima japonês.

“Priorizamos a qualidade de instalação esportiva, de repouso e de alimentação. Entendemos que esses três pilares são essenciais para o êxito dessa fase final de preparação. E é o que temos visto no dia a dia. Os atletas estão conseguindo se adaptar à questão do fuso-horário e conseguindo render bem nos treinamentos. E a alimentação é, sim, uma questão fundamental no nosso entender, porque ela permite trazer um conforto efetivo que vai além da condição fisiológica”, explicou Jorge Bichara, subchefe de missão e diretor de esportes do COB.

Time Brasil

Com uma delegação recorde em uma edição de Jogos Olímpicos realizada no exterior, o Brasil tem o 12ª maior time entre os 206 países participantes. A equipe é composta por 162 homens (53,5%) e 140 mulheres (46,5%) que competirão em 35 modalidades (de 50 possíveis).

Medalhistas olímpicos da delegação brasileira, 18 são campeões: Arthur Zanetti, da ginástica artística; Thiago Braz, do atletismo; Rodrigo Pessoa, do hipismo saltos; Kahena Kunze, Martine Grael e Robert Scheidt, da vela; Bruninho, Douglas Souza, Fernanda Garay, Lucão, Lucarelli, Maurício Borges, Maurício Souza, Natália, Tandara e Wallace, do vôlei; e Alison e Bruno Schmidt, do vôlei de praia.

Os esportes que mais trouxeram medalhas para o Brasil na história dos Jogos são o judô (22), vela (18) e atletismo (16). No Japão, juntam-se a eles e aos outros esportes tradicionalmente representados no Time Brasil as novas modalidades do Programa Olímpico: surfe e skate.

Judô em Hamamatsu, Shizuoka-JAP (Foto: Divulgação/Gaspar Nóbrega)

Adiamento 

Assim que foi anunciado o adiamento dos Jogos, em março de 2020, o Comitê Olímpico do Brasil elaborou uma série de ações para zelar pela integridade física e pela saúde de seus públicos diretos (atletas, treinadores e colaboradores).

Em parceria com as Confederações, a Missão Europa proporcionou a 238 atletas de 24 modalidades a retomada segura de seus treinamentos, entre julho e dezembro do ano passado. O Centro de Treinamento Time Brasil, no Rio de Janeiro, virou um refúgio para os atletas, com protocolos de segurança bem rigorosos e todos os serviços de alta performance oferecidos pelo COB na preparação final para Tóquio.

Para realizar os Jogos Olímpicos, o COB montou uma comissão médica para acompanhar a delegação brasileira no Japão. Desde o embarque dos atletas no Brasil até a chegada no Japão, o COB colocou em prática todo planejamento estabelecido contra contágio de covid. Os atletas brasileiros vêm sendo testados diariamente (também nas bases do Time Brasil) e seguem uma série de protocolos de segurança contra o vírus.

“Nosso objetivo é que atletas e modalidades tenham seu melhor resultado possível e mostrem evolução em relação a conquistas anteriores. Temos uma diversidade de modalidades com potencial de medalha, o que é um indicador positivo de que, ao longo dos anos, o Brasil desenvolveu-se em muitas frentes. Isso demonstra que há um potencial muito grande no país para que modalidades, até então pouco conhecidas, possam ter relevância no cenário internacional”, afirmou Jorge Bichara.